Na fragilidade esconde-se uma força que desconhecemos. A minha equivale ao que me tira do sério e promove reações que antes eu controlava e aceitava, até destilar o ódio contido no silêncio e no medo de machucar-me, ainda mais, ferindo o outro. Descobri isso cedo, eu tinha 4 anos. A fila na escola ensinou-me a primeira lição da vida: Minha mãe não me criou pra ser mal tratada. Lembro-me que no jardim de infância havia uma menina que me beliscava na fila e eu não reagia, porque aprendi que a escola era um lugar pra ser educada, comportada e evitar encrencas. Engolia a dor e a raiva e continuava a suportar a situação. Até que minha mãe ao me arrumar pra escola percebeu umas marcas em mim e perguntou o que era aquilo. Quando eu contei, ela olhou o meu rosto e puxando o meu braço e apontando as manchas roxas, gritou: _Se você deixar ela judiar de você de novo, vai se ver comigo! Vou te bater, se aparecer em casa com mais uma...
Cai, levanta e vai, Clarice!
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