Carta para Clarice

25 de agosto de 2021

Clarice, meu bem!

Faz muito tempo que não lhe escrevo, e parte de quem eu era já não posso te dizer que ainda existe em mim.
Posso dizer que existe uma vaga lembrança, como uma espuma das ondas, quando o mar  toca a areia pela primeira vez, ou seria pela última vez? Não sei ao certo!
Me defino hoje com algo diferente daquilo que você conheceu, só você me vendo novamente poderá perceber, ou melhor só você me enxergando novamente, poderá perceber.
Mas bem sagaz como você é, tenho certeza que poderá me enxergar por completo através desses singelos versos que, eu muito ousada que sou, decidi te escrever.
Antes mesmo de receber sua carta, sigo os dias em busca dos meus defeitos mais sinceros, com a cara lavada e a alma rasgada, gosto de escancarar as imperfeições aos olhos do outro, que me fazem ser tão eu.
E na solitude de não querer agradar ninguém me sinto tão a vontade em ser verdadeiramente eu.
A ideia de me moldar ao outro, você meu bem, sabe bem, que nunca foi meu ponto forte, mas de uns tempos pra cá, tenho tido uma queda por essa base de sustentação que são meus defeitos, sinto que eles são tão meus que é como se sem eles eu deixasse de ser eu.
Não sei se devo isso ao tempo, ao apego pelo sofrimento, ou se isso já sempre esteve ali, fazendo parte de mim.
Espero que possamos nos ver logo, antes que essa brisa de coragem em me mostrar como o outro não quer me ver, decida ir embora, e você sabe meu bem, que quando decido ir embora de mim, não tem mais volta.
Com afeto, Clarice! 💌

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