Clara no nome, Clarice na cara!
Clara seguia numa via mal iluminada de subúrbio, dessas que o cansaço encontra no final de um dia de trabalho, até que os faróis baixos de um carro a encontrou, acuada ela foi caminhando de costas pra um muro de espinhos, mas o inesperado aconteceu: uma mulher que dirigia o carro saiu chorando, veio ao encontro dela e a abraçou.
O que fazer com alguém chorando em seus braços numa rua a meia luz??
Ela correspondeu ao abraço desesperado e confortou aquela desconhecida com um silêncio que tomou conta de todo espaço, porque aquela irmã em sua direção afagou todo o sentido no calo daquele encontro.
Após enxugar as lágrimas sem dizer nada, Clara buscou uma pequena lanterna e iluminou o rosto da outra face, a estranha com os olhos brilhantes a olhou e disse:
_ Clara na cara, Clarice no nome, esboçando um tímido sorriso.
Afirmando a mão na lanterna, respondeu:
_ Olá! Meu nome é Clara, soltando uma gargalhada tensa.
Não houve senão olhares que se aprofundaram interrogativos, porém ninguém disse mais nada.
Clarice voltou p o carro, acenou um adeus e seguiu seu caminho.
Clara ficou estacada, observando seu movimento de desapego de um acolhimento, cujo o momento revelou toda a sororidade em seu sentido pleno.
A lanterna permaneceu acesa e, feito um vaga-lume, Clara caminhou até o portão de casa após dobrar a esquina. Viu sua casa toda iluminada. Todas as luzes desenhavam uma constelação no seu espaço, sua caverna de ouro, seu recanto, que não era mais o mesmo de sempre. Nada era mais obtuso, mas óbvio.
Suas retinas refletiam um varandeado palco. Assim, soltando a bolsa e a lanterna no chão, ela assumiu o seu cenário, deitou na rede e flertando com a pequena garagem, sussurrou um desejo antigo: -Vou comprar um carro, vou dirigir, chegar em casa mais cedo e protagonizar meu tempo.
E numa conversa, onde falava e se ouvia, afirmou:
- Como foi bom encontrar comigo na via crucis de mim!
Claudice
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