Resposta à Clarice
Querida Clarice
Suas palavras foram tão precisas, tão prontas para me despertar a alma... Realmente, minha querida, levei por muito tempo uma vida irracional. Morna, desconexa, distante, a ponto de não me reconhecer mais. Passava por algum lugar onde minha imagem era refletida, e perguntava: “quem é essa estranha? Esses olhos vazios que nada veem?” Não me reconhecia, Clarice, de tão insanamente longe me afastei de mim mesma.
Realmente, querida. Eu desisti de mim para me dar aos outros. E o pior, não me disseram nem um “muito obrigado”. Porque eu ofereci demais... Sabe aquele papo de oferta e procura? Pois é. Ofereci demais. Mas não foi sacrifício covarde, querida. Foi amor. E muito. Só que eu esqueci que primeiro, tinha que amar a mim mesma.
Quando descobri isso, Clarice, eu comecei um longo caminho de volta. Demorou, mas cheguei. Cheguei a mim novamente. Me acolhi e me abracei. Revisitei todo o meu ser, e amorosamente o acolhi. Acolhi também meus defeitos. Descobri, que na verdade, os chamava de forma errada. São características, que fazem parte de mim e me tornam única.
Ah, Clarice, como eu senti saudade de mim... Como senti saudade! A ponto, de uma amiga, que não via há tempos, fez comigo como Mariazinha, mulher de Mílton. Perguntou-me o que havia acontecido, porque eu estava tão diferente, tão distante de quando me conhecera. Mas falava-me do novo brilho que encontrou no meu olhar, da alegria que via em meu semblante. Então disse-lhe: nunca estive tão perto de mim mesma!
Obrigada, Clarice, pelas palavras. Desejo-lhe que elas te encontrem também, e que te ajudem a seguir caminho semelhante.
Com amor, Liberdade
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