Na sala de espelhos

 Livre da relação, a representação pode se dar como pura apresentação.

Michel Foucaut

   Li e pensei: é uma veerdade feminina escrita por um homem, porque nesse espelho desolado da vida não é vispivel o que se fita. Seguimos num barranco de cegos, onde o colírio basta e todo mundo finge que tá tudo bem. Pra quem?

   Há um ateliê de bordados e maquiagens e recursos de todo tipo de parafernália, pra rebocar uma parede prestes a cair. E quanto mais fakes, mais recursos artificiais. E aí eu pergunto: Para o mundo, se ele ainda é de verdade, que eu quero um demaquilante pra bombardear essas fronteiras enganosas de promoções de vidas perfeitas, ou de gente que resolveu lavar o rosto e montar um personagem de "agora sou eu mesmo". Até a verdade tá com cara de mentira. Assim como nunca soubemos a fronteira entre a realidade e a ficção...não se sabe mais o que é sim e o que é não.

   Pra quê carnaval? Baile de máscaras? Não precisa. Mergulhamos numa festa de eu sou o que você quiser misturada com o day after de mas posso fingir ser quem não sou também. É tanta falsidade, que o termo 'Farsa' tão bem representado no teatro saiu de cena, tá livre da relação, como diz Foucaut, agora é apresentação mesmo.

    Melhor ocorresse de atravessarmos esses caminhos de similitudes como manifestação do não ser e seguissemos pelas analogias nos reconhecendo no semelhante, sem saber quem somos, simpáticos e alienados, felizes e puros. Vai saber...

     A falta de identidade que é a busca  da sua origem e da desssemelhança  que revela a diversidade e a unicidade que prova não haver iguais, incomoda, não é divertida, nem coloca na aparência o desejo de ser o outro, portanto a diferença leva o sujeito a roda dos injeitados, por isso melhor representar do que ser.

      Resta-nos a aventura de Alice: atravessar os espelhos.  Afinal, Alice rima com Clarice.

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