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Arranhão

Trinca a vitrine da verdade Suavemente tocada pela ventania de virada e as águas lavam o medo do rosto do tempo ontem que se desfaz  Sob a lua nova... Estrelas surgem num céu que vejo dentro de mim... O Uni_verso faz poesia em meus olhos que sorriem... Cantando sozinho a tessitura da manhã nos trópicos envolvendo o meridiano essencial: perfume sobre o mar.

Na sala de espelhos

 Livre da relação, a representação pode se dar como pura apresentação. Michel Foucaut    Li e pensei: é uma veerdade feminina escrita por um homem, porque nesse espelho desolado da vida não é vispivel o que se fita. Seguimos num barranco de cegos, onde o colírio basta e todo mundo finge que tá tudo bem. Pra quem?    Há um ateliê de bordados e maquiagens e recursos de todo tipo de parafernália, pra rebocar uma parede prestes a cair. E quanto mais fakes, mais recursos artificiais. E aí eu pergunto: Para o mundo, se ele ainda é de verdade, que eu quero um demaquilante pra bombardear essas fronteiras enganosas de promoções de vidas perfeitas, ou de gente que resolveu lavar o rosto e montar um personagem de "agora sou eu mesmo". Até a verdade tá com cara de mentira. Assim como nunca soubemos a fronteira entre a realidade e a ficção...não se sabe mais o que é sim e o que é não.    Pra quê carnaval? Baile de máscaras? Não precisa. Mergulhamos numa festa de eu...

Clareia!

 O mar mesmo sob a chuva a cadeira de praia na areia Clarice nas mãos feito luva nas pernas  calda de sereia Reflete na escama  os dramas que sua: periguete e dama. calçada ou a rua? Mordendo a maçã escura anoitece em sol cantando _Água viva, Diva! Cura! E a vida vai queimando

SECIRALC

SeciralC Avessas? Transversas? Travessas? Perversas? Somos. Recifes e corais. Vento nos bambuzais. Maré cheia. Gente que recheia. Rainhas? Reis? Valetes? Damas? Curingas. Nuvem de chuva. Pedacinho azul em céu cinzento. Mão na terra sem luva. Somos da massa o cimento. Suspeitas? Indecorosas? Eleitas? Corajosas? Podemos. Gema da pedra. Raízes das florestas. Dentes dos selvagens. Asas abertas. Alices? Eurídices? Dulcinéias? Madalenas? SeciralClariceS.

CLARISCIENTES

Eu e minha Filha já somos duas Clarices embora façamos caretas, brincando de meninices. Mulheres e crianças não desistimos facilmente. Sororidade é esperança: aqui não se veta absorvente. Acolhemos a todes. Acreditamos na generosidade. Não somos QR codes. Somos pessoas de verdades.

Para quem chega. Para mim mesma.

 M eu bem, agradeço por sua chegada! ela, mesmo que repentina, mudou meus conceitos sobre as pessoas, me deu um pouquinho mais de ânimo. Só que antes de continuarmos, não posso deixar que entre a fundo nisso sem te contar algumas coisas necessárias, e cabe apenas a você querer continuar por aqui ou correr o mais longe possível. é que eu sou ansiosa, chorona e provavelmente vou trocar nossas conversas por um livro, mas não vai ser nada pessoal, é só que as vezes eu fujo dos meus sentimentos me enfiando em páginas e palavras. sou chata pra caralho, não vou fazer nada que você mandar e vou chorar por isso depois. Vou sempre cobrar atenção porque se nao me der, vou me sentir um estorvo, ou que você não gosta de mim, ou que achou algo ou alguém mais interessante. já peço desculpas por isso, é que eu sou insegura pra caralho. ah, eu falo palavrão o tempo todo, gosto de me apaixonar, por coisas, pessoas, histórias, sentimentos e minha cabeça nunca para calada, sempre vou ter alguma c...

Como ser remédio

   Clariciar num fluxo vital, onde há respiração do corpo-palavra... Concretizar o espírito do sentido daquilo que se quer dizer, sussurrando ou gritando tudo o que contido (e já não mais pertence a você) pede passagem. Modo de refazer-se:    Pegue o lápis, caneta, papel, ou ligue o computador. ou abra o celular e simplesmente germine em forma de texto, deixando brotar, crescer, florecer, até que interfira na realidade, no meio, se expressando em árvore que produz ar, vida, doando e tranformando, o que não quer mais enraízado dentro de você;   Nessa floresta-livro e de livrar-se ofereça pulmão as sufocadas que esperam uma janela de sentires, deixando-as com as percepções à flor da alma;   Transborde contradições, dores e, superando (ou não) o que for necessário, saboreie a felicidade de SerExposiçãoInteira, assumindo todos os seus pedaços, remendando com amor o que faltou de agulhAcolhimento e não conseguiu costurar, há tantos tecidos rotos atrás:  ...

Fila com " f " de fragilidade e força

        Na fragilidade esconde-se uma força que desconhecemos. A minha equivale ao que me tira do sério e promove reações que antes eu controlava e aceitava, até destilar o ódio contido no silêncio e no medo de machucar-me, ainda mais, ferindo o outro.  Descobri isso cedo, eu  tinha 4 anos. A fila na escola ensinou-me a primeira lição da vida: Minha mãe não me criou pra ser mal tratada. Lembro-me que no jardim de infância havia uma menina que me beliscava na fila e eu não reagia, porque aprendi que a escola era um lugar pra ser educada, comportada e evitar encrencas. Engolia a dor e a raiva e continuava a suportar a situação. Até que minha mãe ao me arrumar pra escola percebeu umas marcas em mim e perguntou o que era aquilo. Quando eu contei, ela olhou o meu rosto e puxando o meu braço e apontando as manchas roxas, gritou:        _Se você deixar ela judiar de você de novo, vai se ver comigo! Vou te bater, se aparecer em casa com mais uma...

Livre para ser dona de mim!

Descobri minha liberdade quando entendi quais eram as minhas prisões. Prisões que eu mesma criei para mim. Prisões criadas da expectativa daquilo que achava que o outro queria que eu fosse... E ao tentar consertar os meus defeitos, descobri que eles fazem parte de mim... ao tentar jogá-los fora, me descaracterizei. Já não me reconhecia mais. Olhava no espelho, via uma estranha, triste, sem vida, sem tesão, sem amor. Os dias passavam num ritmo frio e doentio do cotidiano ausente de emoções.  Um dia, me dei conta de tão longe que estava de mim mesma. Aos poucos voltei para mim, passo a passo na busca de me reencontrar À medida que me reconstruí, peguei os meus defeitos e juntei-os novamente, um por um. Como uma tecelã, fiei novamente minha estrutura, olhando com carinho para cada nó ou fio fora do lugar. Olho para esse tecido, com orgulho da costura feita.  Essa sou eu. Meus defeitos, na verdade são minhas características. E não importa mais o que os outros acham. Não importa ma...

Resposta à Clarice

Querida Clarice Suas palavras foram tão precisas, tão prontas para me despertar a alma... Realmente, minha querida, levei por muito tempo uma vida irracional. Morna, desconexa, distante, a ponto de não me reconhecer mais. Passava por algum lugar onde minha imagem era refletida, e perguntava: “quem é essa estranha? Esses olhos vazios que nada veem?” Não me reconhecia, Clarice, de tão insanamente longe me afastei de mim mesma.   Realmente, querida. Eu desisti de mim para me dar aos outros. E o pior, não me disseram nem um “muito obrigado”. Porque eu ofereci demais... Sabe aquele papo de oferta e procura? Pois é. Ofereci demais. Mas não foi sacrifício covarde, querida. Foi amor. E muito. Só que eu esqueci que primeiro, tinha que amar a mim mesma.  Quando descobri isso, Clarice, eu comecei um longo caminho de volta. Demorou, mas cheguei. Cheguei a mim novamente. Me acolhi e me abracei. Revisitei todo o meu ser, e amorosamente o acolhi. Acolhi também meus defeitos. Descobri, q...