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Mostrando postagens de setembro, 2021

Para quem chega. Para mim mesma.

 M eu bem, agradeço por sua chegada! ela, mesmo que repentina, mudou meus conceitos sobre as pessoas, me deu um pouquinho mais de ânimo. Só que antes de continuarmos, não posso deixar que entre a fundo nisso sem te contar algumas coisas necessárias, e cabe apenas a você querer continuar por aqui ou correr o mais longe possível. é que eu sou ansiosa, chorona e provavelmente vou trocar nossas conversas por um livro, mas não vai ser nada pessoal, é só que as vezes eu fujo dos meus sentimentos me enfiando em páginas e palavras. sou chata pra caralho, não vou fazer nada que você mandar e vou chorar por isso depois. Vou sempre cobrar atenção porque se nao me der, vou me sentir um estorvo, ou que você não gosta de mim, ou que achou algo ou alguém mais interessante. já peço desculpas por isso, é que eu sou insegura pra caralho. ah, eu falo palavrão o tempo todo, gosto de me apaixonar, por coisas, pessoas, histórias, sentimentos e minha cabeça nunca para calada, sempre vou ter alguma c...

Como ser remédio

   Clariciar num fluxo vital, onde há respiração do corpo-palavra... Concretizar o espírito do sentido daquilo que se quer dizer, sussurrando ou gritando tudo o que contido (e já não mais pertence a você) pede passagem. Modo de refazer-se:    Pegue o lápis, caneta, papel, ou ligue o computador. ou abra o celular e simplesmente germine em forma de texto, deixando brotar, crescer, florecer, até que interfira na realidade, no meio, se expressando em árvore que produz ar, vida, doando e tranformando, o que não quer mais enraízado dentro de você;   Nessa floresta-livro e de livrar-se ofereça pulmão as sufocadas que esperam uma janela de sentires, deixando-as com as percepções à flor da alma;   Transborde contradições, dores e, superando (ou não) o que for necessário, saboreie a felicidade de SerExposiçãoInteira, assumindo todos os seus pedaços, remendando com amor o que faltou de agulhAcolhimento e não conseguiu costurar, há tantos tecidos rotos atrás:  ...

Fila com " f " de fragilidade e força

        Na fragilidade esconde-se uma força que desconhecemos. A minha equivale ao que me tira do sério e promove reações que antes eu controlava e aceitava, até destilar o ódio contido no silêncio e no medo de machucar-me, ainda mais, ferindo o outro.  Descobri isso cedo, eu  tinha 4 anos. A fila na escola ensinou-me a primeira lição da vida: Minha mãe não me criou pra ser mal tratada. Lembro-me que no jardim de infância havia uma menina que me beliscava na fila e eu não reagia, porque aprendi que a escola era um lugar pra ser educada, comportada e evitar encrencas. Engolia a dor e a raiva e continuava a suportar a situação. Até que minha mãe ao me arrumar pra escola percebeu umas marcas em mim e perguntou o que era aquilo. Quando eu contei, ela olhou o meu rosto e puxando o meu braço e apontando as manchas roxas, gritou:        _Se você deixar ela judiar de você de novo, vai se ver comigo! Vou te bater, se aparecer em casa com mais uma...

Livre para ser dona de mim!

Descobri minha liberdade quando entendi quais eram as minhas prisões. Prisões que eu mesma criei para mim. Prisões criadas da expectativa daquilo que achava que o outro queria que eu fosse... E ao tentar consertar os meus defeitos, descobri que eles fazem parte de mim... ao tentar jogá-los fora, me descaracterizei. Já não me reconhecia mais. Olhava no espelho, via uma estranha, triste, sem vida, sem tesão, sem amor. Os dias passavam num ritmo frio e doentio do cotidiano ausente de emoções.  Um dia, me dei conta de tão longe que estava de mim mesma. Aos poucos voltei para mim, passo a passo na busca de me reencontrar À medida que me reconstruí, peguei os meus defeitos e juntei-os novamente, um por um. Como uma tecelã, fiei novamente minha estrutura, olhando com carinho para cada nó ou fio fora do lugar. Olho para esse tecido, com orgulho da costura feita.  Essa sou eu. Meus defeitos, na verdade são minhas características. E não importa mais o que os outros acham. Não importa ma...

Resposta à Clarice

Querida Clarice Suas palavras foram tão precisas, tão prontas para me despertar a alma... Realmente, minha querida, levei por muito tempo uma vida irracional. Morna, desconexa, distante, a ponto de não me reconhecer mais. Passava por algum lugar onde minha imagem era refletida, e perguntava: “quem é essa estranha? Esses olhos vazios que nada veem?” Não me reconhecia, Clarice, de tão insanamente longe me afastei de mim mesma.   Realmente, querida. Eu desisti de mim para me dar aos outros. E o pior, não me disseram nem um “muito obrigado”. Porque eu ofereci demais... Sabe aquele papo de oferta e procura? Pois é. Ofereci demais. Mas não foi sacrifício covarde, querida. Foi amor. E muito. Só que eu esqueci que primeiro, tinha que amar a mim mesma.  Quando descobri isso, Clarice, eu comecei um longo caminho de volta. Demorou, mas cheguei. Cheguei a mim novamente. Me acolhi e me abracei. Revisitei todo o meu ser, e amorosamente o acolhi. Acolhi também meus defeitos. Descobri, q...

Carta Confessional a Clarice

  Rio de janeiro, 4 de setembro de 2021.   Querida Clarice, venho lhe escrever em resposta a sua última carta. Talvez esteja vendo em mim algo que não sou. Aproveito para lhe avisar que depois desta carta todas as suas expectativas serão duramente quebradas e talvez nunca mais me olhe do mesmo jeito. Como eu disse, não sou como você me descreve. Na verdade, tenho sido apenas metade de mim há alguns anos. Quando lhe conheci, no entanto, não tinha a percepção de hoje, mas já sentia que não era como você. Você, uma mulher incrível, corajosa, que fala dos seus medos e inseguranças e consegue se despir sem tirar as roupas, apenas com as palavras. Eu, por outro lado, me escondo por trás delas, das palavras e das roupas.  A palavra “mulher” sempre foi alvo do meu desejo, mas nunca uma casa onde me sinto confortável. Poderia dizer que me soa mais como uma prisão. Não me reconheço nela e acho que nunca me reconheci. Lembra quando eu lhe dizia: “Vocês mulheres são tão complic...

Perdida nas entrelinhas

    Aquilo tudo saiu. Só não sei pra onde.          Clarice, não pode haver miolo no pão que não se fez, nem marca d'água na nota que emperrou, muito menos parágrafo mediano, num texto que não foi escrito, contumaz o meio ...          Tentei uma carta que virou e-mail, mas não foi...porque sumiu desapareceu... Desfez-se enquanto eu o fazia? Sem resposta.            O que eu queria dizer ficou calado e não foi ouvido;            Os dizeres ocultos que custei arrancar de dentro de mim, continuaram escondidos; Nem sei onde.      A música que eu assobiava antes de escrever: "...Minha jangada vai sair pro mar... minhas companheiras também vão voltar..." ; agora é só uma memória do antes daquilo que não houve.           O vento que atravessava a janela e empurrava a cortina no meu rosto foi só uma cena de fundo, pra missiva que não aco...
 OS INCÔMODOS NUMA CASA CLARICE (...)A parte sem o todo não é parte. E o todo sem a parte não é todo(...). Gregório de Matos    Cada dia uma parte, um pedaço, um conto fazem sentir-me sem teto, sem proteção e mais forte. Não há janelas nem portas, apenas o céu, a terra e eu: uma mulher conspirando ser, sentir e viver. Paredes não importam aprendi a escalá-las; o horizonte é uma marca para ser transpassada, como uma saia transparente embalando-me, para abrir as asas e ser borboleta.    Leio a sorte nas nuvens, em suas deformidades inconstantes, porque o vento, seu escultor, não as consegue possuir. Assim, elas revelam a impermanência do fluxo e, em segundos, a epifania de um sorriso discreto, diante da transformação da escrita, que no azul celeste inferniza a mesmice.    Meus braços se abrem em páginas e a liberdade engole tudo o que sou. Cuspida em chuva, renasço nos campos salomônicos em outros eus que florescem lírios-cactos. Há um perfume que espeta...

De um jeitinho, sou dona de mim

    meu rimel tá sempre borrado meu batom tá sempre saindo meu cabelo é todo frizado meu corpo tem curvas que o padrão julgaria desnecessário. tenho tatuagens bebo cerveja falo palavrão sou grossa. eu choro eu grito eu escrevo eu canto eu penso. eu sou mulher eu sou forte eu sou todas aquelas que lutaram pra que eu conseguisse estar aqui hoje. eu sou clarice. 

A força de Ser Clarice

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Você sabe a força que existe em uma mulher? Você sabe! Somos singulares e plurais Intuitivas e corajosas Somos potencias O início da existência  Somos mais que corpos Somos alma E não nos limitamos ao espaço reduzido que o patriarcado nos reserva Somos selvagens e guerreiras  Sedutoras e aventureiras Tentam nos diminuir porque sabem da nossa grandiosidade e temem o nosso poder. Ser amada por uma mulher é estar em um lugar seguro Amar uma mulher é mergulhar no profundo. Ser mulher é ser águia, fênix, força da natureza. É ser estrela e universo É ser deusa e feiticeira.  E quando não nos sujeitamos aos espaços limitados que tentam nos prender, somos consideradas loucas e bruxas, o que eles não sabem que isso não é ofensa, é orgulho de ser quem somos!

Desejo

Desejo primeiro me encontrar, saber que estou aqui para mim e nunca me deixarei. É a única certeza de que preciso, uma daquelas poucas certezas com a qual se pode passar toda vida sem arrependimentos ou culpa. Depois disso, não importa quem entrará ou sairá do meu ciclo de relacionamentos. Não importará minha profissão, qual cargo eu ocupo, não importa meu status tampouco meu dinheiro. Desde que eu me tenha, que eu me conheça e não me perca, todo o resto é complemento. Durante o processo, no entanto, esse complemento parece desviar atenção e apenas despertar um medo e uma necessidade de pertencimento que me faz agradar mais aos outros do que a mim mesma. Essa situação nunca me gerou bons frutos, por mais nobre que possa parecer.   O exercício da empatia começa em nos colocarmos em nossas próprias posições, estabelecermos limites para lidarmos com os outros com o mesmo respeito e compreensão que temos conosco. Qualquer tentativa de subverter isso é primeiro desconsiderar-se como u...

Encontro às cegas

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  Eu dei no primeiro encontro. Não resisti. Depois de uma ou duas taças de vinho em um dia frio de inverno, debaixo do cobertor cada peça de roupa parecia querer sair do meu corpo. Senti a pele fervilhar enquanto me despia. As mãos percorriam cada centímetro. Sentia meu fôlego faltar. Eu queria mais, corpo transpirava desejo. Eu me via em chamas mesmo molhada. Não havia como parar o tesão que escorria pelos dedos. Eu comandava ao mesmo tempo em que me entregava. Perdia o fôlego e o eixo até me encontrar plena, nua e em gozo, dona de mim. Depois desse dia, marquei muitos primeiros encontros comigo e advinha? Dei em todos eles. Clarice.

Sendo Ser

Querida Clarice, Li a carta que você escreveu para sua amiga Olga e me emocionei demais.  Sua sinceridade em falar das suas fragilidades é algo tão raro, que por um momento causa estranheza para muitos, mas não para mim, que assim como você, se compreende gente através das  fragilidades, o que poderiam qualificar como defeitos e imperfeições, é simplesmente o que nos torna humanas.  E aí surge a grande questão, por que as pessoas não se aceitam, Clarice?  Eu deveria saber essa resposta, uma vez que, por muito tempo não me aceitei. Não aceitava quem eu era e isso sim é estranho. Não aceitar a minha natureza, o meu DNA e quem me tornei a partir das experiências que vivi. Comecei a mudar quando aceitei que sou humana e a beleza está nisso. Na fragilidade, nas incertezas, nos medos, nas dores e nos prazeres. Sou ansiosa por não saber o que fazer com esse tanto sentir que nos tempos atuais (ou será que sempre foi assim?), o sentir é visto como vulnerabilidade. Eis uma coi...

Carta para Clarice

Querida Clarice,  Tenho lido suas cartas e confesso que suas palavras, cada dia mais, tornam-se ensinamentos para a minha existência consciente.  O sentir  é anacrônico, não é mesmo, Clarice? E apesar de você ter vivido em uma época tão diferente da minha, me reconheço em teus sentimentos tão sinceros, complexos e profundos. Somos mulheres intensas e essa intensidade nos leva a sentir tudo muito e de tanto sentir, as vezes não sentimos nada e é aí que tudo complica ainda mais, porque é melhor sentir tudo do que não sentir nada e ficar entorpecida diante da vida que pulsa descompassada. Os tempos atuais são difíceis e interessantes, Clarice. Morro de curiosidade para saber como você lidaria com a pandemia, com o cenário político, com as inúmeras injustiças e ibecialidades que são  postadas 24h por dia na internet.  Eu até poderia tentar te explicar tudo, mas estou cansada demais, então vou me ater na crença de que onde está, você pode ver tudo e dar risada ou se ...